Ricardo Nezinho surge como nome de diálogo para a Assembleia em um cenário de novo governo
Deputado apoiou Renan Filho na eleição, mas sua trajetória dentro da Casa e participação em composições construídas por consenso ajudam a explicar por que seu nome aparece nas conversas sobre a próxima presidência da Assembleia.
A eleição terminou, mas a política de Alagoas já entrou em outra fase. Com JHC eleito governador e uma nova legislatura prestes a começar, a relação entre Executivo e Assembleia Legislativa passa a ser uma das peças centrais para 2027.
É nesse cenário que o nome de Ricardo Nezinho começa a aparecer nas conversas sobre a sucessão de Marcelo Victor na presidência da Casa.
Nada está definido. Não há candidatura formalizada nem acordo público. Mas Ricardo ocupa hoje a segunda-secretaria da Mesa Diretora e integra uma composição que foi eleita por unanimidade pelos 27 deputados presentes. Esse histórico ajuda a entender por que seu nome pode aparecer associado a uma solução de diálogo interno.
A particularidade está no resultado da eleição estadual.
Ricardo apoiou Renan Filho durante a campanha e participou ativamente de sua candidatura em Arapiraca. JHC, porém, venceu a disputa e assumirá o Governo de Alagoas a partir de janeiro.
Isso cria uma situação interessante.
Campanha eleitoral e relação institucional não são a mesma coisa. Encerradas as urnas, o governador eleito precisará construir uma relação permanente com a Assembleia, assim como o próximo presidente do Legislativo terá de dialogar com o Executivo sem abrir mão da autonomia da Casa.
É justamente aí que Ricardo pode entrar nessa discussão.
Sua trajetória parlamentar mostra participação em Mesas Diretoras formadas por amplos acordos, e sua atual posição na estrutura da Assembleia o coloca dentro do núcleo que já conhece o funcionamento administrativo e político da Casa.
Uma eventual presidência de Ricardo não significaria que ele passaria a integrar o grupo político de JHC, nem que abandonaria suas relações partidárias anteriores. Da mesma forma, não significaria oposição automática ao novo governo.
Esse talvez seja exatamente o ponto.
Para um governador que inicia o mandato após uma eleição disputada contra o grupo ao qual Ricardo esteve ligado, encontrar na presidência da Assembleia alguém com experiência de articulação interna e histórico de participação em composições amplas poderia abrir espaço para uma relação institucional menos marcada pela continuidade da disputa eleitoral.
Mas isso dependeria dos dois lados.
Governabilidade não é produto apenas do nome do presidente da Assembleia. Depende da composição das bancadas, da pauta do Executivo, da disposição para negociação e da capacidade de respeitar a independência entre os Poderes.
Ricardo também chega fortalecido eleitoralmente e mantém sua principal base política em Arapiraca e no Agreste. Isso acrescenta outro elemento à conversa: sua presença no comando da Casa poderia ampliar o peso político de uma região importante no cenário estadual.
A eleição da presidência da Assembleia, porém, não acontece nas ruas. A decisão será dos próprios deputados.
Por isso, qualquer avanço do nome de Ricardo dependerá menos de declarações públicas e mais da capacidade de reunir os colegas em torno de uma composição.
O cenário ainda está aberto.
Mas se a próxima Assembleia buscar um presidente capaz de manter canais de diálogo tanto com sua própria bancada quanto com um governo eleito por um campo adversário ao que apoiou durante a campanha, Ricardo Nezinho aparece como um nome que naturalmente entra nessa conversa.
O desafio será transformar essa possibilidade em consenso dentro da Casa.
