Sucessão de Luciano já começou: Carol e Yale entram no radar para 2028 em Arapiraca

Com o prefeito impedido de buscar um novo mandato consecutivo, a disputa por sua sucessão começa a ganhar forma dentro da própria gestão. Carol Valeriano e Yale Fernandes aparecem no centro das conversas, enquanto Ricardo Nezinho, Rute Nezinho e Célia Rocha ajudam a tornar o cenário de 2028 bem mais aberto do que parece.

A eleição de 2028 ainda está a pouco menos de dois anos de distância, mas a sucessão de Luciano Barbosa já começou. E, desta vez, o prefeito terá diante de si um desafio diferente daquele enfrentado nas urnas: não basta manter um grupo unido. Será preciso encontrar alguém capaz de transformar a força da atual gestão em voto próprio.

Hoje, dois nomes começam a ocupar esse espaço com mais frequência: Carol Valeriano e Yale Fernandes.

Nenhum deles foi apresentado oficialmente por Luciano como seu candidato, e ainda é cedo para tratar qualquer escolha como definida. Mas os cargos que ocupam, a proximidade com o núcleo da administração e a visibilidade política que vêm acumulando fazem com que os dois entrem naturalmente no radar para 2028.

Carol comanda a Secretaria Municipal de Serviços Públicos, uma das áreas que mais aparecem no cotidiano da população. Limpeza urbana, iluminação e manutenção colocam a pasta diretamente nas ruas e dão à secretária uma exposição que poucos integrantes do governo possuem. Ela também já passou pelas urnas, foi eleita vereadora em 2024 e depois se licenciou para continuar no Executivo.

Yale Fernandes chega por uma estrada diferente. Tem mais tempo de política, já ocupou a vice-prefeitura de Arapiraca, passou por diferentes funções públicas e, em 2026, ganhou uma vitrine estadual ao disputar a vice-governadoria. Depois da eleição, assumiu a Secretaria Municipal de Governo, justamente uma das posições mais próximas da articulação política de Luciano.

É aí que a sucessão começa a ficar interessante.

Carol tem presença na rua e uma pasta com forte capacidade de exposição. Yale tem experiência, articulação e trânsito político. Os dois estão dentro do mesmo governo, orbitam o mesmo prefeito e, caso realmente desejem chegar à Prefeitura, precisam conquistar exatamente a mesma coisa: a confiança de Luciano para liderar seu grupo em 2028.

Por enquanto, essa disputa não é pública. Não há rompimento declarado nem uma guerra aberta entre os aliados. Mas política também é feita de expectativa. Quando mais de uma pessoa começa a acreditar que pode receber a bênção do principal líder de um grupo, surgem comparações, preferências internas e, inevitavelmente, interesses que nem sempre caminham na mesma direção.

Luciano terá de administrar isso.

Quanto mais tempo deixar diferentes aliados acreditarem que podem ser o escolhido, mais delicado poderá ser o momento da decisão. Quem receber o apoio do prefeito ganha uma estrutura política importante. Quem ficar pelo caminho terá de decidir se aceita a escolha, negocia espaço ou procura outro caminho.

E existe uma diferença importante entre a eleição passada e a próxima.

A grande vitória municipal de 2024 não foi construída por Luciano sozinho. Rute Nezinho estava na chapa como candidata a vice-prefeita e participou diretamente daquele projeto eleitoral. Hoje, porém, ela está politicamente afastada do prefeito e posicionada na oposição.

Isso significa que parte da composição que venceu junta em 2024 poderá estar em lados diferentes quando 2028 chegar.

Ao lado de Rute aparece Ricardo Nezinho, deputado estadual e um dos nomes mais conhecidos da política de Arapiraca. Se Ricardo entrar na disputa pela Prefeitura, qualquer candidato escolhido por Luciano terá diante de si um adversário com trajetória, estrutura política, reconhecimento e uma base eleitoral construída ao longo de anos.

Não é um nome que o grupo governista possa tratar como figurante.

Se a eleição fosse desenhada hoje, Ricardo estaria entre aqueles que precisariam ser considerados seriamente por qualquer estratégia montada dentro da Prefeitura. E isso aumenta a responsabilidade de Luciano na escolha de seu sucessor. Não basta escolher alguém fiel. Será necessário escolher alguém que consiga competir fora dos gabinetes.

Há ainda Célia Rocha.

Eleita vice-governadora, a ex-prefeita de Arapiraca voltou ao centro da política estadual e já declarou ter escolhido o nome que pretende apoiar na disputa municipal de 2028. Ela ainda não revelou publicamente quem será esse candidato, mas só o fato de uma liderança com sua trajetória já trabalhar com uma escolha mostra que outra peça importante do tabuleiro também está se movimentando.

É por isso que o tempo começa a pesar.

Luciano ainda pode observar pesquisas, medir rejeição, testar nomes e analisar quem consegue crescer sem depender exclusivamente de sua imagem. Também pode permitir que Carol e Yale continuem ganhando espaço antes de tomar uma decisão. O risco está em esperar demais.

Um sucessor não nasce no dia da convenção partidária.

Precisa ser apresentado, testado, defendido pelo grupo e, principalmente, reconhecido pelo eleitor como alguém capaz de governar. A força política de Luciano certamente será um ativo importante, mas voto não é herança automática.

E 2028 tende a reunir forças que conhecem profundamente Arapiraca.

De um lado, Luciano tentará preservar o comando político da Prefeitura. Dentro de seu grupo, Carol e Yale começam a aparecer como duas possibilidades reais. Do outro, Ricardo Nezinho mantém peso eleitoral, Rute carrega a experiência de ter integrado a chapa vencedora de 2024 e Célia Rocha já sinaliza que também pretende participar da construção do próximo cenário municipal.

A disputa ainda nem começou oficialmente, mas os movimentos já estão acontecendo.

E, antes de enfrentar Ricardo, Rute, o nome de Célia ou qualquer outro adversário, Luciano provavelmente terá de resolver primeiro a eleição que acontece dentro de casa.

Carol ou Yale?

A resposta ainda não existe.

Mas a corrida para ser o nome de Luciano Barbosa em 2028 já começou.

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